Realismo – Mod 12
Do mesmo modo que a Revolução Francesa influenciou o surgimento da mentalidade romântica, a Revolução Industrial está diretamente associada ao nascimento da estética realista. Em lugar de tratar dos dramas individuais, o olhar realista focalizará a sociedade e os comportamentos coletivos.
Madame Bovary, de Gustave Flaubert, foi a primeira narrativa realista a surgir na Europa. A literatura realista visava produzir, por meio da arte, uma representação da realidade que permitisse condenar o que há de mau na sociedade. O desejo de pintar a anatomia do caráter humano se explica pela necessidade de compreender a origem de praticas e comportamentos sociais negativos.
Para fazer essa análise, os escritores realistas adotarão a razão e a objetividade como lentes através das quais observam o mundo.
No Brasil, Machado de Assis também espantou o publico após a publicação de seu romance mais ousado, Memórias póstumas de Brás Cubas. Para enfrentar esse problema, Machado de Assis estabelece desde o inicio de suas obras um dialogo constante com o leito, que ganha características definidas: ora cínico, ora sensível, reage às situações vividas pelas personagens, fica indignado com o narrador. Por trás desse jogo de cena há um objetivo: conquistar a simpatia dos leitores ao provocar, entre eles e as personagens e os narradores dos romances que escrevia, uma espécie de identidade.
O artista procura analisar a realidade que o cerca tendo a razão como seu instrumento principal. O subjetivismo é substituído por um olhar mais objetivo: o texto literário passa a oferecer descrições e informações factuais, para que o leitor possa formar uma impressão geral da dinâmica social representada em cada obra. O olhar do leitor é dirigido pelo narrador realista, sem que isso seja feito de modo declarado ou explicito, como acontecia nos romances românticos. Ao fim de um processo como esse, o leito pode se convencer de que formou, sozinho, uma imagem sobre as personagens, mas na verdade chegou às conclusões previstas pelo narrador.
Machado de Assis – Mod 13
Machado de Assis desenvolve um novo olhar para a sociedade do Segundo Império, esboçando de modo revelador e impiedoso seu retrato mais fiel.
Memórias póstumas de Brás Cubas, essa obra profetiza a construção de um Realismo diferente daquele que surgiu com Flaubert (1821-1880) e chegou ao Brasil com os romances de Eça de Queirós (1845-1900). A crítica social realizada pro Machado de Assis é inovadora, porque seus romances representam o publico burguês de modo tão realista que acabam por provocar, entre os leitores, muito mais identificação que constrangimento.
A carreira de Machado de Assis como escritor costuma ser dividida em duas partes:
A primeira mostra um autor cuja genialidade já começa a aparecer. Fazem parte dessa fase Ressurreição (1872), A mão e a luva (1874), Helena (1876) e Iaiá Garcia (1878). Essas obras apesar de marcadas por traços claramente românticos, traduzem a preocupação do escritor com a questão da ascensão social.
A segunda fase machadiana é composta por Memórias póstumas de Brás Cubas (1881), Quincas Borba (1891), Dom Casmurro (1899), Esaú e Jacó (1904) e Memorial de Aires (1908). Esses romances concentram-se na falsidade da vida depois do casamento, marcado pela traição. Uma importante característica de suas prosas realistas é manter a atenção do leitor, e não convencê-lo a se comportar dessa ou daquela maneira, como queriam os românticos.
Os principais contos de Machado são: Papéis avulsos (1882), Historias sem data (1884), Varias historias (1896) e Relíquias da casa velha (1906).
Naturalismo – Mod 13
O Naturalismo surge como um desdobramento da estética realista, voltado para a valorização da ciência como instrumento para analise e compreensão da sociedade.
A publicação em 1859 do livro A origem das espécies, do biólogo inglês Charles Darwin (1809-1882), causou espanto e revolta dos setores mais conservadores da sociedade inglesa.
Dos estudos de Darwin, duas idéias merecem atenção, porque influenciaram a definição de características da estética naturalista:
· A constatação de que o ser humano é um animal como outro qualquer;
· A crença de que a natureza promove um processo seletivo no qual sobrevivem os mais adaptados e os mais fracos são eliminados.
Entre cientistas e filósofos, as idéias de Darwin foram muito bem acolhidas e deram origem ao que se passou a chamar de “darwinismo social”.
Auguste Comte criou a filosofia positivista, que apontava o saber positivo, baseado nas leis cientificas, como superior ao teológico ou ao metafísico, muito valorizado em momentos históricos anteriores.
Hippolyte Taine era um crítico literário e, em seus trabalhos sobre a literatura inglesa, utilizou pela primeira vez o termo determinismo para explicar quais fatores deveriam ser considerados na apreciação das obras literárias de um povo. Segundo ele, o individuo era socialmente condicionado por três fatores:
· A raça da qual ele fazia parte e que lhe garantia uma determinada herança;
· O meio no qual se encontrava;
· O momento em que vivia.
Émile Zola chega a definir o Naturalismo como uma aplicação, na literatura, do método de observação e de experimentação, criando, assim, o que chama de romance experimental. Seu objetivo é claro: pretende exaltar a “evolução naturalista que empolga nosso século [o XIX], impulsiona aos poucos todas as manifestações da inteligência humana num mesmo caminho científico”
Os naturalistas deixam de lado a análise psicológica que marcou a literatura realista. Dedicam-se à análise dos fenômenos coletivos, que caracterizam melhor a tese determinista por eles defendida.
Nas obras naturalistas, vemos trabalhadores das minas de carvão, das pedreiras brasileiras, marinheiros, todos convocados a demonstrar uma mesma idéia: o ser humano é fruto do meio em que vive e das pressões que sofre.
Para evitar a difícil decisão entre produzir obras para vender – e, portanto, de acordo com as expectativas dos leitores – ou fazer uma opção radical e adotar a forma literária que mais lhes agradasse, Aluísio Azevedo tenta conciliar as duas opções e, aos poucos, “educar” o gosto do público, que está acostumado com à delicadeza romântica que jamais abria as portas dos quartos para mostrar a intimidade dos amantes, fica chocado com a sexualidade explícita dos textos naturalistas.
Além de descrever a intimidade das personagens, o romance naturalista se empenha em revelar de que maneira as pessoas, submetidas a condições sub-humanas de vida e de trabalho, acabam perdendo a própria humanidade e sendo dominadas por seus instintos animais.
O foco narrativo em terceira pessoa e as descrições são recursos que a linguagem do romance naturalista usa para sugerir um olhar racional e objetivo para a realidade.
Naturalistas Brasileiros – Mod 14
O principal foi Aluísio Azevedo, que deu início ao movimento quando publicou, em 1881, o romance O mulato.
Aluísio Azevedo sabia que uma boa propaganda e uma pitada de mistério eram o segredo para despertar a curiosidade do fiel público dos romances românticos. Por isso, pouco antes do lançamento de O mulato, promoveu uma inteligente e inusitada “campanha publicitária” no jornal A Pacotilha.
Em sua obra, destacam-se dois romances: Casa de pensão (1884) e O cortiço (1890). Com eles, Aluísio consagrou-se “o primeiro romancista de massas” da literatura brasileira.
Para escrever Casa de pensão, Aluísio inspirou-se em um fato verídico: a “Questão Capistrano”, crime que sensibilizou o Rio de Janeiro durante a sua primeira estada na Corte. O interesse dele, nessa obra, é mostrar que as situações e os hábitos comuns tornam o indivíduo uma vítima fácil da fatalidade, traduzida aqui pelas irrevogáveis “leis naturais”. Assim, a história gira em torno de pessoas que são dominadas pelas forças irracionais de seus instintos.
O cortiço foi o último romance naturalista escrito por Aluísio Azevedo e também o mais bem acabado. Seu objetivo principal é demonstrar a tese de que o ser humano é fruto do meio em que vive, o indivíduo é, assim, completamente envolvido pelo meio, que de certa forma o devora.
Algumas vezes a história literária dá exemplos de autores que se imortalizam pela publicação de uma obra em especial. Esse é o caso de Raul Pompeia e do romance O Ateneu (1888), consagrado pela crítica como uma das obras mais inteligentes da literatura brasileira.
Embora a narração em primeira pessoa comprometa a objetividade pretendida pelos naturalistas, o autor preserva a tese central de que o meio influencia o comportamento das pessoas.
As memórias de Sérgio, em O Ateneu, podem ser vistas como um contraponto literário a outras celebres memórias: as de Brás Cubas. Nos dois casos, critica-se a classe dominante, mas Raul Pompeia opta por fazê-lo de modo mais duro e ressentido, revelando um olhar marcado pelas doutrinas que influenciam o Naturalismo. Por isso, Sérgio conclui: “Não é o internato que faz a sociedade, o internato a reflete. A corrupção que ali viceja vai de fora”. Mais uma vez, reforça-se a tese de que o individuo é fruto do meio em que vive.
Isto é essencial!
è Como estética literária, o Realismo procura analisar a nova organização socioeconômica, detectando suas causas e denunciando suas conseqüências;
è É determinista a visão que apresenta o ser humano como produto do meio em que se encontra, da herança (cultural, social, biológica) recebida e das condições históricas características do momento em que vive;
è Os romances naturalistas são, com frequência, caracterizados como literatura de tese, porque desenvolvem uma estrutura pensada para provar ao leitor a visão determinista da sociedade. O aviltamento e a perda da dignidade dos indivíduos que vivem em um meio degradante é a grande tese exposta nesses romances.
Lembrem-se, não deixem de ver o caderno, o modulo e responder os exercícios...
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